GRUFC, novamente em casa emprestada (Complexo Desportivo de Ramalde, Porto), venceu a equipa do S. Miguel e ficou muito perto de garantir a manutenção na primeira divisão
Foi a mais de 50 km de Guimarães, em nova casa emprestada, que os Bravos de Guimarães tiveram de receber a equipa que viajou desde Lisboa para mais uma importante jornada do campeonato nacional. Recorde-se que o GRUFC jogou quase toda a primeira volta longe da sua casa, entenda-se a Pista de Atletismo Gémeos Castro, porque, numa primeira fase, o relvado se encontrava em renovação para a prática de futebol, e numa segunda porque a equipa de futebol Sub 23 do Vitória Sport Clube, que, por determinação das entidades gestoras da Pista de Atletismo Gémeos Castro, passou a ter uma posição prioritária na utilização das instalação, vendo-se dessa forma o GRUFC a poder apenas utilizar o relvado quando a equipa do VSC não o fizesse.
Estranhamente, no passado sábado, o GRUFC, depois de ter o jogo marcado há meses, e sem que nada o fizesse prever, recebeu uma comunicação por parte das mesmas entidades, cinco dias antes do jogo que podia ditar praticamente a manutenção na primeira divisão, ou seja, o jogo mais importante da época até ao momento, informando o clube de que não poderia jogar à hora que tinham agendado com o clube adversário bem como com a Federação Portuguesa de Rugby. Desta forma, porque para a equipa adversária, devido a compromissos profissionais dos seus atletas, o jogo teria que ser realizado à hora agendada, o GRUFC viu-se obrigado a procurar outro campo disponível para a tarde de sábado e com as condições necessárias para um jogo de rugby. Depois de muito trabalho o GRUFC encontrou um campo a mais de 50 km de casa. O ambiente totalmente neutro está prometido. Ou seja, aquele bem conhecido fator casa que tantas vezes pesa da decisão de jogos altamente disputados, desapareceu por completo.

Quanto ao jogo propriamente dito, encontravam-se em campo quinto e nono classificado, o Clube de Rugby S. Miguel com os objetivos da época definidos e o GRUFC com a necessidade de pontuar para se distanciar do Rugby Clube Vila da Moita, adversário na luta pela manutenção. Provavelmente pela importância do jogo, os nervos abafaram a estratégia de jogo dos Bravos que entraram muito mal na partida permitindo logo no primeiro lance, fruto de um perda de bola dentro da área de 22 metros, que os visitantes se adiantassem no marcador (00-05). Bola ao centro e novamente o S. Miguel mais perto de marcar, tudo parecia errado na equipa de Jeremias Soares, e só passados os primeiros 10 minutos surgiram as primeiras boas trocas de bola do GRUFC e um ensaio à ponta depois de algumas fase dos homens avançados (07-05). Foi o aparente acordar dos homens de Guimarães, no entanto, a precipitação de querer resolver os lances o mais rápido possível fez com que os erros voltassem a surgir em grande escala e o S. Miguel os aproveitasse da melhor forma com dois ensaios sem resposta (07-17). Era bem negro o panorama para o GRUFC tendo em conta a necessidade de pontuar e o treinador dos Bravos sabia isso melhor que ninguém, daí as alterações na equipa ainda o relógio não tinha chegado à meia hora de jogo. Com o pack de avançados e linhas atrasadas renovadas o GRUFC teve uma reta final da primeira parte exemplar, boas formações ordenadas, jogo apoiado, e sobretudo com mais calma na área de 22 ofensiva o GRUFC marcou dois ensaios e beneficiou de uma penalidade que levou a equipa em vantagem para o intervalo (24-17).
A segunda parte começou com novo ensaio do GRUFC (29-17) mas quando se esperava um GRUFC mais confiante e dominador, foi o S. Miguel a criar as oportunidades de maior perigo sobretudo com o recurso de jogo ao pé e com dois ensaios praticamente oferecidos pelos Bravos passaram para a frente do marcados (29-31) e colocavam assim a equipa de Guimarães numa posição nada confortável. Havia pouco tempo para jogar e os erros surgiam cada vez mais. As bolas para a frente, as falhas de placagem e os passes precipitados perto da área de ensaio marcaram os últimos instantes de uma partida que parecia estar praticamente decidida. Só já bem perto do apito final, depois de uma jogada de insistência do GRUFC, foi assinalada uma penalidade junto à linha lateral a sensivelmente 30 metros da linha de ensaio. Entre jogar rápido, o alinhamento lateral ou o pontapé aos postes, o capitão dos Bravos decidiu entregar a Bruno Silva a possibilidade de acertar no meio dos postes e entregar assim a vitória aos Bravos e a consequente posição mais confortável na tabela classificativa. Não havia mais tempo para jogar, seria o último lance do jogo. Como vem sendo hábito nos grandes jogos, o número 9, sem tremer, pontapeou a bola de forma exímia e marcou assim os três pontos necessários para vencer o GRUFC vencer o jogo (31-29).
